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17 de abr. de 2012

Alfredo Margarido, um Português de todas as Latitudes



Alfredo Margarido : o lusófono necessário para a lusofonia

Um grande número dos leitores de Alfredo Margarido, inclusive africanos, pensam que se trata de um escritor caboverdiano ou angolano, devido à dimensão da África não só nos seus estudos e ensaios, mas também do seu apoio à luta de libertação dos povos das antigas colónias portuguesas deste continente. Houve quem me tivesse dito que até pensava que o Margarido fosse negro. Na verdade, Margarido viveu a África, por dentro e por fora, numa fraternal solidariedade com os africanos das colónias portuguesas, em Lisboa, na Casa dos Estudantes do Império e mais tarde em São Tomé, Angola, Moçambique, Cabo Verde e nas diásporas lusófonas.
A literatura, dizia Margarido, teria sido o único espaço para o debate “entrelinhas” de ideias e propostas no sistema salazarista. Assim, a sua obra, o seu pensamento político começa por passar pela literatura iniciada em Portugal nos anos cinquenta do século passado antes de encontrar todas as liberdades em França, passando da literatura dos países africanos de língua portuguesa à historia e política coloniais, economia, sindicalismo, escravatura, resistência anti-colonial, sempre com um rigor crítico que nem sempre agrada aos próprios africanos. E é nesse aspecto que ele se diferencia pela sua ousadia e independência da maior parte dos críticos literários do período colonial, sem medo de desagradar aos censores, aos fiéis do sistema colonial e do partido único, para ir ao fundo dos problemas dos países colonizados.
A influência de um grande intelectual francês como Jean Paul Sartre, a quem ele dedicou um ensaio em Portugal, foi importante nas suas escolhas políticas. Alfredo Margarido pertence a uma geração do após Guerra que apostou na luta anti-fascista e que mais tarde se estendeu, nem sempre com facilidades, à luta anti-colonial. Foi dessa aprendizagem com anti-fascistas portugueses e africanos, como Mário Pinto de Andrade, Lúcio Lara, Amílcar Cabral, Marcelino dos Santos, Agostinho Neto e de Cruzeiro Seixas (artista plástico português a residir em Angola), que iniciou o seu combate a favor da autodeterminação dos povos africanos. Mas, enquanto que o grupo africano partia para a Europa nos anos cinquenta à procura de armas teóricas para melhor avançar para a luta política e armada, ele fazia o percurso inverso, partindo para a África, com vivência demorada em São Tomé e Príncipe e Angola, de onde será expulso pela administração colonial, por denunciar o luso-tropicalismo e os efeitos colaterais de uma absurda colonização que não aceitava a igualdade racial e nem a descolonização.
Margarido teve um papel importante na Casa dos Estudantes do Império, que seria fechada em 1965 devido à atribuição de um prémio literário ao escritor angolano Luandino Vieira. Organizou várias antologias de poesia dos países africanos e ganhou mesmo um prémio literário em 1962 por um ensaio dedicado ao poeta angolano Agostinho Neto. Também, sem assumir qualquer responsabilidade, apoiou o ensaio de Onésimo Silveira “Consciencialização na Literatura Caboverdiana”, um ensaio ainda polémico; e a ele se deve a maior divulgação em França e no mundo do poema nacionalista “O Capitão Ambrósio”, da autoria de Gabriel Mariano, que trouxe clandestinamente de Portugal. Em Paris, a partir de 1964, continuou ligado à literatura dos países de língua portuguesa, tendo publicado uma antologia na livraria Presença Africana, dirigida pelo senegalês Alioune Diop, livraria essa que foi o refúgio de todos os homens políticos africanos, principalmente das colónias portuguesas, como Mário de Andrade, Marcelino dos Santos, Amílcar Cabral e outros. Influenciou muitos jovens escritores das colónias portugueses ao nível da poesia , do ensaio e das artes plásticas, numa perspectiva da luta de libertação, o que marcou a revolução cultural nos respectivos países depois das Independências.
Desde os anos cinquenta, Alfredo Margarido aparece na imprensa caboverdiana através do Boletim de Cabo Verde, dirigido sabiamente pelo advogado Bento Levy, onde comenta as obras dos poetas e romancistas Claridosos que mais tarde foram incluídos no seu livro “Estudos sobre literaturas das Nações Africanas de Lingua Portuguesa”. Para o grande escritor caboverdiano António Aurélio Gonçalves, Alfredo Margarido era um crítico muito exigente mas que possuía um lugar especial na crítica da literatura dos países de língua portuguesa.
Conhecemo-nos nos meses que seguiram ao movimento dos estudantes de Maio de 1968 onde teve intervenções nos debates e reuniões que marcaram o movimento. O historiador Marc Ferro, de quem foi um grande colaborador, considerou-o como uma das figuras mais importantes dos debates universitários durante aquele período revolucionário de Maio de 1968. Comecei por frequentar a sua casa ao lado da Praça de Saint Michel, onde recebia estudantes das colónias portuguesas e muitos amigos portugueses, de que destaco o nosso Branquinho Pequeno, sempre de bom humor e aberto a todas as discussões. Depois residiu na Rua de Saint Hilaire, em seguida na rue Fagon em Paris V e ulteriormente na rua de l’Essai onde permaneceu até regressar definitivamente a Portugal, mas vivendo sempre perto do Quartier Latin que tanto marcou a sua vida universitária e política.
Teve também um papel importante ainda nos princípios dos anos setenta na introdução do ensino das literaturas dos países de língua portuguesa na Faculdade de Paris VIII – Vincennes a convite do Professor José Terra, do Departamento de Português. A introdução desta matéria nos estudos universitários ajudou muito os estudantes a descobrirem a verdadeira história dos respectivos países. Margarido incentivava os seus alunos caboverdianos, guineenses, angolanos, moçambicanos a fazerem teses e mestrados, como foi o meu caso, a lançarem-se no movimento associativo e a debater os problemas coloniais, pondo a sua biblioteca à disposição de todos. Em 1973 é convidado por Jean Copans a colaborar num célebre volume sobre a crítica da antropologia e do imperialismo, editado em 1975 pelas edições François Maspero, que põe em questão o papel da antropologia ao serviço do colonialismo português e do imperialismo. Ele demonstra que a antropologia nem sempre esteve ao lado dos combatentes da liberdade e acusa alguns antropólogos portugueses de terem fornecido as armas teóricas para a guerra colonial. E denuncia em especial o luso-tropicalismo, ou seja a falsa antropologia do brasileiro Gilberto Freire, que fazia do Brasil o modelo de integração racial quando foi o último país da América do Sul a abolir a escravatura. Aliás, teve desde 1957 um associado na crítica contra o antropólogo brasileiro Gilberto Freira na pessoa do poeta e romancista caboverdiano Baltasar Lopes da Silva, que escreveu “Cabo Verde, visto por Gilberto Freire”. O antropólogo brasileiro em visita às colónias portuguesas, a convite do Governo de Salazar, teria tecido alguns dislates sobre a cultura caboverdiana. Mais tarde, a partir de 1975, acompanhei-o no Centro de Recherches Africaines da Sorbonne, onde esteve associado a Michel Devisse, Yves Persan, Jean Boulègue em cursos sobre a história da África e de onde saíram alguns historiadores africanos, inclusive das antigas colónias portuguesas e mesmo de Portugal.
Os acontecimentos do 25 de Abril, que pôs termo ao regime de Salazar e abriu as portas à Independência das colónias, não o surpreenderam. Não, como muita gente pretende, que ele estivesse informado da intervenção do Movimento das Forças Armadas por um almirante estar casado com uma irmã dele, mas sim como resultado das suas próprias análises políticas. Era da opinião de que nenhum regime colonialista por mais forte que fosse a nível militar tinha conseguido triunfar contra os movimentos de libertação e que o regime cedo ou tarde iria também cair, como já tinha acontecido com os franceses ou os americanos no Vietname. Outro aspecto importante e que prova a sua fidelidade aos ideais da liberdade : manteve-se distante em relação aos governos estabelecidos nas antigas colónias portuguesas a partir do momento que se criaram os partidos únicos segundo o modelo leninista, embora as várias solicitações e convites dos governos que tão bem conhecera durante a luta de libertação.
Margarido reconhecia a influência da França no seu percurso literário e universitário. Dizia que a França o tinha transformado, afastando-o assim da literatura. Aqui conheceu novas disciplinas, teve excelentes professores e amigos, que foram determinantes na sua carreira universitária, como os historiadores Elikia M’bokolo, Jean Dévisse, Claude Meulassous, Jean Boulègue, Jean Pierre Chrétien, Marc Ferro, Henry Persan, Catherine Coquery-Virdrovich, e antropólogos como Jean Copans e Roger Bastide e outros.
Dizia sempre que a Independência não resolvia tudo e que teríamos de estar preparados para outros problemas: se como anti-fascista e anti-colonialista se venceu um combate contra o salazarismo e o colonialismo não estava convencido da libertação imediata da herança colonial ou do suicídio das classes como preconizara Amílcar Cabral durante a luta nas matas da Guiné Bissau. E a história deu-lhe razão. Admirador confesso da obra de Fernão Mendes Pinto, escreve em 1994 “As surpresas da flora no tempo dos descobrimentos”, a demonstrar que não foram somente as riquezas do subsolo e da escravatura que enriqueceram a Europa, mas também os conhecimentos técnicos trazidos das viagens e a descoberta de novas civilizações que modernizaram a Europa. Também a botânica e a culinária europeia receberam novas plantas que os marinheiros trouxeram da sua aventura pelo mundo e que revolucionaram a gastronomia, como a mandioca, a batata, o ananás, o cajueiro, feijões, tabaco, milho, o cacau das Américas, a malagueta do Senegal, a banana do Congo, a cola da África, a canela, o coqueiro, a noz moscada, o cravo, as mangas, o chá da Ásia, todas essas plantas trazidas no bojo dos navios portugueses que transformaram o Mundo e serão a maior contribuição das descobertas marítimas portuguesas para a humanidade.
Uma outra preocupação de Alfredo Margarido foi a de estreitar as relações entre Portugal e o mundo lusófono. Na emigração, viu novas relações de solidariedade entre os emigrantes lusófonos e tirou as lições necessárias para uma nova lusofonia. Frequentava os bidonvilles da região parisiense, onde viviam emigrantes de todas as origens e, desses contactos fraternos, tirou o célebre ensaio “Elogio do bidonville” (ver Latitudes n°5) em que demonstra a solidariedade e a riqueza espiritual dos portugueses e outras comunidades que ali viviam. Enquanto que muitos sociólogos somente viam a miséria material dos emigrantes nos bidonvilles, ele descobria uma grande riqueza espiritual nos emigrantes, solidários e unidos na luta pela emancipação económica e espiritual. Para que Portugal fosse pluricontinental no plano cultural e espiritual, teria de romper com o passado colonial que foi horrendo nas suas colónias e criar novas dinâmicas sociais, económicas e culturais e estabelecer relações de respeito e fraternidade com os povos dos outros continentes que sempre exigiram dignidade e respeito. E quando após a Independência de Cabo Verde os emigrantes caboverdianos, que tanto tinham investido em Portugal na construção urbana, viram serem-lhes negado a renovação dos passaportes portugueses pelo facto de não poderem provar a origem portuguesa ou, melhor, por serem pretos (o que provocou desempregos e mesmo expulsões destes dos países da União Europeia), Margarido entrou de novo na luta, condenando o Governo Português e as suas embaixadas e consulados. No ano de 2000 publica “A lusofonia e os lusófonos : novos mitos portugueses”, com uma critica actual à lusofonia proposta pela CPLP. Sem uma nova visão das relações entre os lusófonos, que aliás não deve excluir as diásporas lusófonas da Europa, África e Américas, a lusofonia não passa duma balela, como dizia o escritor caboverdiano Luiz romano. Em França, várias associações caboverdianas e portuguesas, como a Solidariedade Caboverdiana e ACAP 77, organizaram diversas manifestações culturais, entre as quais o Festival da Canção Lusófona que lançou vários artistas caboverdianos como Teófilo Chantre, Dulce Matias, John Andrade, etc. E foi do encontro nesses festivais que saiu o projecto da revista Latitudes em que ele colaborou ao lado de outros como Daniel Lacerda, José de Barros, Dominique Stoenesco, revista essa que ainda continua a sair trimestralmente. A CPLP não pode fazer simplesmente a lusofonia dos chefes de Estado: a lusofonia tem que ser, como propõe Margarido, uma lusofonia dos povos que não ignora as diásporas dos países de língua oficial portuguesa.
Alfredo Margarido era uma pessoa assídua, assim como o mano Branquinho Pequeno, em todas as actividades culturais da Associação dos Caboverdianos em França - Solidariedade Caboverdiana, para a qual convidava os amigos de passagem por Paris. Foi por isso que o convidei a escrever o prefácio ao “Folclore Caboverdiano” de Pedro Monteiro Cardoso que foi um alumbramento pela importância na revisão da história cultural e politica de Cabo Verde, iniciada nos fins do século XIX . Ficou assim demonstrada que a luta para os direitos cívicos e a literatura caboverdiana não começaram em 1936 com a revista Claridade e nem em 1956 com a criação do PAIGC por Amílcar Cabral. Neste prefácio ele estuda os nativistas como Luis Loff de Vasconcelos, Eugénio Tavares, José Lopes, Pedro Monteiro Cardoso, o movimento pan-africanista em que participaram muitos caboverdianos nos princípios do século XX, a importância da emigração caboverdiana na América do Norte e a influência desta não somente a nível económico em Cabo Verde, mas também no plano social e cultural e que serve de tema a Baltasar Lopes da Silva no célebre romance Chiquinho. A cultura caboverdiana e, em especial, a sua literatura enriqueceu-se com esse prefácio que permitiu que se fizesse um recuo de mais cinquenta anos no estudo da literatura e da vida política e social caboverdiana. Um poema dedicado a Karl Marx em 1913 e o uso da greve, nesse mesmo ano, nas Companhias Inglesas, resultante da experiência americana dos emigrantes caboverdianos, demonstram a existência, já nos princípios do século XX, de uma consciência social da classe trabalhadora em São Vicente.
É de assinalar a sua comunicação na Cidade Universitária de Paris na homenagem a Baltasar Lopes, em Maio de 1989, e o excelente artigo publicado na revista Lusotopie, em 1994, chamado “Pour une histoire des geo-politiques culturelles du Cap Vert”» em que, mais uma vez, explica a originalidade de Cabo Verde, tanto no plano étnico como cultural no espaço africano. Também em Cabo Verde, de 1982 a 1990, colaborou com muita constância no jornal católico Terra Nova com artigos profundos que permitiram a muitos patrícios repensarem Cabo Verde e libertarem-se do pensamento único imposto pelo PAIGC.
Mas a música e as artes plásticas não ficaram de lado: Margarido publicou vários artigos sobre os pintores Victor Teixeira (Angola) e Tchalé Figueira (Cabo Verde). Também na revista Latitudes publicou diversas notas sobre a música caboverdiana e em especial um estudo sobre o CD “Ex-ilhas” (14 poemas de Luiz Silva e musicados por Jovino dos Santos).
Ele reconhecia que o seu exílio, associado à sua vivência com as comunidades emigradas, alargou profundamente a sua visão de Portugal e do mundo. Perdeu a cor e foi tão normal que as pessoas que o liam pensassem que fosse negro e africano de Cabo Verde ou Angola. Foi, pela sua vivência, o verdadeiro lusófono necessário, o modelo a seguir, para a realização da lusofonia não baseada na cor, mas sim em novas relações históricas a serem criadas entre os povos, tal como ele próprio viveu no seio dos emigrantes que se exprimem oficialmente na língua portuguesa.
A sua tese de doutoramento sobre a literatura caboverdiana na Universidade de Sorbonne, que à ultima hora decidiu não entregar, explicava com pormenores essa viagem à literatura caboverdiana com os caboverdianos de várias gerações com quem conviveu de perto nas comunidades caboverdianas em Portugal, em São Tomé e Príncipe, em Angola e França, partilhando reflexões sobre Cabo Verde e em especial sobre a sua literatura, cultura e mesmo sobre a unidade Cabo Verde-Guiné, desde os pan-africanistas aos escritores mais modernos. No cinquentenário da revista Claridade apresentou uma comunicação histórica que merece referência em estudos literários sobre Cabo Verde.
Alfredo Margarido foi condecorado pelo Governo de Cabo Verde em 2002 com a Medalha de primeira classe do Vulcão. A sua morte foi sentida em todo o mundo de língua oficial portuguesa e nas diásporas desses países. Morreu de pé sempre a lutar pelas suas ideias e sempre cheio de projectos. Ele merece que o seu nome seja dado a ruas e praças em todo o mundo de língua oficial portuguesa.
Paris 15/12/2011

Luiz Silva

15 de jan. de 2011

Carta de Italia do meu primo Gianluca

A queda de Ícaro - Tchalê
Gianluca escreveu:"Silvio Berlusconi investigado em alegado caso de prostituição de menores, mas ele disse que a anomalia italiana são os juízes comunistas, jornalistas comunistas e ainda e sempre os comunistas...... ah,ah,ah. Ciao primo, bom fim de semana."


Eu respondo: Os italianos merecem um tal governante?... Coitado do povo Italiano!!!!!!

9 de jan. de 2011

Faleceu Honório Lima ( Cucus de Rebera Bote)


Morreu, em Paris, depois de doença prolongada, num incêndio que ocorreu no dia primeiro de Janeiro, no prédio onde residia (42 Rue de la Roquette – Paris 75011), o nosso patrício, Honório Lima, mais conhecido por Cucuche de Ribeira Bote. Nasceu há 85 anos em São Vicente, e muito cedo começou a sua pedalada de emigrante: aos dezoito anos, emigra para Timor, onde passa quatro anos a trabalhar como carpinteiro. Numa entrevista concedida à revista Latitudes, no quadro da Independência de Timor Leste (onde deixou uma filha que não mais pode ver, embora os esforços encetados junto das organisações internacionais), descreve a sua aventura pelo mundo como cidadão caboverdiano.
De regresso de Timor fixa-se por algum tempo em São Vicente, na tentativa de criar uma pequena empresa. Impossibilitado de realizar o seu projecto, imigra para o Senegal em 1954, onde nasce o seu primeiro e único filho, Toni Lima, actualmente residente nos Estados Unidos. Em 1965, imigra para a França, passando por Marselha, Fameck e, a partir de 1969, fixa-se em Paris, no 42 Rue de la Roquette, onde recebia com muita amizade todos os patrícios recém-chegados.
Foi um grande activista social, principalmente durante o período de legalização dos trabalhadores emigrantes, sob iniciativa da Associação Solidariedade Caboverdiana, de que foi o seu tesoureiro durante muitos anos. Apoiado principalmente por Madame de Saint Michel, do Centro de Apoio aos emigrantes, conseguiu encontrar trabalho para muitas jovens caboverdianas, que puderam beneficiar da legalização de 1981. Sempre solidário e amigo, esteve sempre disposto a participar em todas as actividades da nossa comunidade, em actividades sociais, como apoios aos emigrantes em dificuldades económicas, enterros, actividades culturais e outras (políticas também, em defesa dos direitos dos emigrantes em França e pela democracia em Cabo Verde).
Com a morte de Honório Lima, a nossa comunidade perdeu um dos fundadores da comunidade caboverdiana em Paris e um dirigente associativo, solidário em todos os problemas da comunidade e que os tantos anos fora de Cabo Verde real (mais de 6O anos) somente reforçaram a sua caboverdianidade. O falecimento de Honório Lima, bem como os de Gabriel Fonseca, primeiro presidente da Associação Solidariedade Caboverdiana, e Gualdino Francês, recentemente falecidos, são sem dúvida grandes perdas para a nossa comunidade, onde o movimento associativo e as iniciativas de solidariedade emagrecem para não dizer estrangulam-se pouco a pouco.
Em nome da nossa comunidade e da sua Associação Solidariedade Caboverdiana apresentamos os nossos sentidos pêsames à sua esposa, Maria Rita Lima e ao seu filho Toni Lima.
Caboverdianamente,

Luiz Silva
Paris, Janeiro de 2011

5 de out. de 2009

PARTIU DESTE MUNDO MERCEDES SOSA



Mercedes Sosa (San Miguel de Tucumán, 9 de julho de 1935 — Buenos Aires, 4 de outubro de 2009)[ cantora argentina de grande apelo popular na América Latina. Com raízes na música folclórica argentina, ela se tornou uma das expoentes do movimento conhecido como Nueva canción. Apelidada de La Negra pelos fãs devido à ascendência amerindia (no exterior acreditava-se erroneamente que era devido a seus longos cabelos negros), ficou conhecida como a voz dos "sem voz".



Arco da Velha dedica um minuto de silencio a esta grande senhora que lutou com as suas canções contra as ditaduras na América Latina.

Quem não se lembra de uma das mais belas canções cantada por Mercedes Sosa: Gracias a la Vida

28 de set. de 2009

MANUEL DE NOVAS FOI PARA O PANTEÃO DOS GRANDES


Manuel de Novas

Manuel de Novas, Manuel d' Novas ou Manel d' Novas Santo Antão, 24 de Fevereiro de 1938 foi hoje para o panteão dos Grandes de Cabo-Verde, hoje dia 28 de Setembro de 2009. Baptizado como Manuel Jesus Lopes, Manuel de Novas escreveu Stranger ê um ilusão, Lamento d'um emigrante e outras letras e composições que nos deixa como vasto património musical e humano.É considerado, COM TODO O MÉRITO, um dos mais importantes trovadores de Cabo-Verde.


Apesar de ter nascido na ilha de Santo Antão, Manuel de Novas ficará sempre na nossa memória,como um filho de São Vicente,

Poemas mais famosos:

Apocalipse
Cmé catchorr (morna-coladeira)
Cumpade Ciznone
D. Ana
Ess Pais
Morte d'um Tchuc (morna-coladeira)
Nôs raça
Psú nhondenga (morna-coladeira)
Stranger ê um Ilusão (
morna)
Tudo tem se limite
Lamento d'um emigrante

No ta fcá que sodade, e no ta ba levóbe na Caasinha Branca, moda bo cantá na Lamente dum Emigrante. Sodade é tcheu, ramede catem...

28 de jun. de 2009

CIDADE VELHA

Cidade Velha, património mundial: Quinhentos anos de historia. Temos que aceitar realisticamente este facto histórico, mas sem nunca esquecer que tudo nasceu da vergonhosa escravatura humana com conivência da igreja católica. O povo Cabo-Verdiano e os africanos em geral não merecem um pedido de desculpa da igreja católica?


26 de jun. de 2009

MICHAEL JACKSON: REST IN PACE

Vi o jovem Michael Jackson cantando pela primeira vez, com os JACKSON 5… no Concerto Rebau em Amesterdão em 1973, tinha eu 20 anos, ele 15.

Que dizer deste homem solitário que morreu aos 50 anos sem ter crescido?... Que de terna idade se tornou numa máquina de fazer dinheiro?... Com imensos complexos raciais, e outras coisas, que só Sigmund Freud poderia esgravatar do profundo da alma atormentada deste artista?...

Fica para a minha memória, algumas das suas mais belas canções.
REST IN PACE MICHAEL…

28 de mai. de 2009

OS CATITAS NO ARCO

Para o Mário e o Vasco: Numa tarde no Monte Verde


Num fonolito, barco de musica
Mário e Vasco, percutindo cantavam
Melodias da pedra – idade dos Homens

A neblina abria e fechava portas…
O rumor do mar, e a luz gizando
Hieróglifos de fogo, nos relevos do mundo

Plantas e líquenes de cheiros mágicos
Um zumbido de moscardo…
Transportou-me a infância, terra bem longe


8 de abr. de 2009

Soberbo CD Lua Água Clara

Poesia musical sublime, requintadas improvisações num divino piano Stanway, com a música fluindo dos dedos sensíveis do Maestro Vasco Martins. Aconselhado a todos os melómanos para limparem os ouvidos da poluição sonora.

Sobre a música, diz Lou Reed: A música éCor do texto tudo. As pessoas deviam morrer por ela. .Morre-se por tudo o resto, então porque não pela musica?

Ópera crioulo



Um cheirinho fotográfico daquilo que foi a Ópera na CCB em Lisboa.

Parabens ao Vasco e ao Toni Tavares

1 de abr. de 2009

O DIA DA MENTIRA É TODOS OS DIAS

Há muitas explicações para o 1 de abril ter se transformado no Dia das Mentiras ou Dia dos Bobos. Uma delas diz que a brincadeira surgiu na França. Desde o começo do século XVI, o Ano Novo era festejado no dia 25 de Março, data que marcava a chegada da primavera. As festas duravam uma semana e terminavam no dia 1 de abril.
Em 1564, depois da adopção do calendário gregoriano, o rei Carlos IX de França determinou que o ano novo seria comemorado no dia 1 de janeiro. Alguns franceses resistiram à mudança e continuaram a seguir o calendário antigo, pelo qual o ano iniciaria em 1 de abril. Gozadores passaram então a ridicularizá-los, a enviar presentes esquisitos e convites para festas que não existiam. Essas brincadeiras ficaram conhecidas como plaisanteries.
Em países de língua inglesa o dia da mentira costuma ser conhecido como April Fool's Day ou Dia dos Tolos, na Itália e na França ele é chamado respectivamente pesce d'aprile e poisson d'avril, o que significa literalmente "peixe de abril"…

Mas na realidade, o dia da mentira, é todos os dias: Com políticos a lixarem os seus povos, com gente a querer sugar os próprios amigos, com charlatães a dizerem que Deus existe sem terem prova de nada, com curandeiros a darem uma de médicos! Em fim, se há um dia que deviam inventar, seria: DIA DE REFLEXÃO SOBRE A MISERIA HUMANA, PORQUE DIA DA VERDADE, SÓ SE FOR NUM OUTRO PLANETA. PRIMEIRO DE ABRIL DIA DA MENTIRA? NÃO!!!! 365 DIAS, DIA DA MENTIRA, MERDA!!!!!!!





30 de mar. de 2009

Teatro NO INFERNO



Arco da Velha congratula ao encenador João Branco, aos actores Manuel Estêvão, Fonseca Soares, Elísio Leite, Arlindo Rocha, e a todos que trabalharam na magnifica peça No Inferno adaptado do romance do Poeta Arménio Vieira. Foi uma hora e quarenta e cinco minutos de excelente teatro. Peça profundamente existencialista inteligente e de alto nível. O cenário a musica e os trajes, também estiveram ao maior nível. Parabéns Março mês do teatro, parabéns ao grupo do Centro Cultural Português do Mindelo. Aquele abraço. Tchale


ÓPERA CRIOULO




Não estive lá mas pelos comentários dos amigos, a Ópera Crioulo foi um sucesso, os meus parabéns ao Maestro Vasco Martins e ao coreografo Toni Tavares. O primeiro-ministro Sócrates chegou atrasado ao evento e foi vaiado em companhia do primeiro-ministro de Cabo Verde. Mas o importante nestas coisas não é os políticos mas a criação dos artistas.

27 de mar. de 2009

Dia da Mulher Caboverdiana


Mulher Cabo-verdiana:

Argentina é a água
Baptizo o teu corpo

Libélula em fogo
Espiral de Luz

Astro do mundo
Seios azeviche

Gazela meiga
Casa de ébano

Ardósia das ilhas
Unhas rubi

Teu corpo farol
Meu barco navega


Tchale Figueira