17 de mai de 2011

VIAGEM BIOGRÁFICA DE UM ILHÉU

Lá longe de aquilo que eu e o Mundo sabe é o vazio. A especulação das estrelas, as palavras. Sempre as palavras! A candeia e a bengala, o sustento do efémero, borboletas desfazendo em cinzas. Sementeira nos campos: Algumas perdidas pela secura da alma, outras iluminadas pelo incêndio do peito, tal mulher casa da primavera. Neste monte verde uma grinalda de névoa entra pelas minhas narinas, penso nos meus mortos que frios jazem em catedrais olvidados e, no meu eu, a luz herdada dos seus candelabros de sabedoria. Com meu cajado de plumas e um mar imenso de pensamentos a águia voa, meus pés descalços sentem a renda dos massa pés modelando trilhos na ilha. Lembro-me dos teus ombros que beijo e torno a beijar cem vezes cem, ou equação infinita na tábua de ébano dos teus olhos. Borboletas, pássaros, flores, e meus dedos apontando uma lua coralina que repousa entre os vales dos teus formosos seios. O quarto, a mesa onde divido o pão e escrevo. Invento palavras cortantes como a espada da morte, também o sabor a mel que corre na linha das minhas ideias. Colheitas armazenadas na electricidade do meu crânio iluminado, insectos coloridos com sangue sobrevoando o lago das minhas incertezas. A casa febril arde, papoilas suspensas na seara, o invisível ar que respiro, a profundidade no oceano das palavras que sondo. Respirar de cavalo sem freio, a tristeza o amor e a morte, corrente marítima, veleiro navegando na borrasca, minha solidão sem beijos…
Romarias e suor, repicam-se tambores nas ilhas, santos por um dia, pelas ruas caminham, dos seus sexos bátegas de chuva regando acácias com seus ramos de navalhas apontadas para a lua. O povo canta, a cortina da mingua num tocar de corpos desvanece no vermelho da terra e, ressuscitado por um segundo, Cristo com um panfleto de luz, grita aos homens: Amai uns aos outros, irmãos!... Igrejas. Mesquitas, sinagogas, templos iluminados, dogmas e mártires, artilheiros da fé, mentes flageladas pela cegueira do verbo: Meu corpo é meu templo, são beijos de libelinhas pairando num regato de cantigas… Violinos, liras, harpas, violoncelos na rua dos tímpanos repousam – Os sentidos orquestram a harmonia do dialogo e, sentado na raiz milenária de um dragoeiro, oiço o cristal da música embalando meu peito grande. Cintilam estrelas de branco veludo, neste universo sem fim… Violáceo poente, jardim dos meus olhos, quente vermelho, caminho leve, varanda nas pálpebras, minhas pestanas pintando oceanos, as cores, a luz, a sombra e o brilho. – Sem Luz!... Não há espaço nem tempo!... Passa um moscardo, regresso a infância bem longe…

Foram tantas, mas algumas pelo caminho as perdi… Daguerreótipos depositados no armário das minhas lembranças: Singapura!... Trinta moedas, três maços de Chesterfield, meu coito triste, órfão do mundo e, mais mar a fora, a ilha dos sonhos, paraíso perdido que a vida anseia. Rosa-dos-ventos, barco do corpo horizonte de tigres, homens – a – vista!... Será este meu porto seguro?... Teria que encontrar-te de novo oh musa perdida!... Tu que comigo ao agro foste escutar a fresca erva crescendo… Planície verde, ausência de espelhos, abominável objecto de vaidades múltiplas, imagem negra no pós Outono da vida, rugas no coração, homens na plástica, olhos rasgados orbitam sem brilho, e a morte que nunca avisa, quando vem jantar! … Bandeiras, estandartes, suásticas, soldados, guerreiros marchando, gritam ao tirano: Ave César! … Bestas teleguiadas, colocando ovos no útero do Mundo. Selvas ardendo, mães sem sorriso, águias apunhaladas no voo do Poeta! Mas o Poeta, feito pássaro que renasce das cinzas, inventa palavras, iluminam-se livros, estes templos sagrados de divina sabedoria… Mãos em chama, fogo da aurora, nasce a palavra, longos dias eternas noites…
Ele, sussurrando, pergunta: São verdes os teus olhos, ou são azuis, como a fina linha do mar que vem dar a costa dos meus sonhos?... Oh salamandra dourada, fogueira viva, estrada escarlate! Minhas artérias são rios de sangue, palavras em meus lábios, cotovelos dobrados, rezo a beleza. Fénix renasce música celestial, partitura divina, divino é Beethoven… ( Freude Godes Funkel aus Ellisium) movimento de batuta solar, música infinita…
Mas eis que escrevo este poema aos meus amigos vivos e mortos. Mortos nas suas frias lápides; carrego-os no cadinho da vida… A vela cintila, uma brisa fugaz entra e sai pela janela das persianas verdes… A cor dos teus olhos?... Ou!... Serão azuis?... negros?... castanhos?... Amo-te com todas as cores, mulher vindima, uva que etiliza meu veleiro de mastro firme. Sou capitão e marinheiro de velas soltas nas vagas do teu pão que como e ofereço-te a comer… Leite, manga, nuvens, crianças, lua, a imensidão do peito; ajoelhado, beijo os teus lábios em flor… Semente da terra, origem da vida, convexa prenhez, planta que nasce, festejamos a vida com cavaquinhos e violões, a navalha que corta o fio entre a mãe e a cria, primavera em brilho, sorrisos marfim, catedrais de ébano, bocas vermelhas, belos os seus rostos, rendas de Holanda, mesas coloridas, iguarias crioulas, manjares e bailes, papilas gustativas o céu da boca, malagueta e melaço, cana – de – açúcar, grogue divino que embriaga nossas alegrias e as nossas tristezas… Pernas pintadas, pó nos terreiros saracoteando, juventude firme, corpos de basalto, seus sexos cheirosos coxas ritmadas em transe bailando, astros queimando o circulo das saias, carcelas em fogo, suspiros na noite, lua bem clara, cama de amantes, tamarindo gemendo, flores no quintal, coito efémero, nada é eterno, transita o tempo e La nave vá… Ofídia fria, inverno sem luz, os dias, as noites, manto de espinhos, sem água no poço o corpo morre, pálpebras exaustas, guerra dos homens, o frio mármore, almas cortadas, sangue inocente, borrem-se estrelas, lábios sem rega, sede de viver… Moedas que corrompem, fel é a seiva, vida quebrada, peçonha no cálice, vinho corrompido falsas abençoas, traqueia que rasga, afónica é a lira, velas e velórios, estrelas extintas, caule quebrado, dedos partidos, canetas ardendo, escritas sangrando, frios revólveres suicidando sonhos… A luz da vida, o dia que renasce!... Montanha curva, ventre de mulher, parto feliz, relâmpagos no céu, voam os dias, soltam-se amarras as veias o sangue, meu corpo nu, multiplicação de anjos, orações divinas, atiçam-se lareiras, meu cérebro descansa, a morte fica para um outro dia… Desço a corrente num barco de seda, meus gestos, tuas mamas, teu cabelo azeviche, floresta de crinas teus olhos que brilham, jardim dos sentidos os sinos que tocam, torre ardendo, meu pénis duro, tua concha em flor, teu desejo molhado, minha língua solar, curvas na púbis, jardim de jasmim, mariposas e pétalas, teu profundo olhar entoando música… Trompetes e tambores, violas de amor, polifonia alegre, montes castanhos, braços e dedos, palma das mãos, rezam-se terços, Cristo bailando, crianças no baile, pura inocência, coroa sem espinhos ilhas vulcânicas negro basalto rosas do mar… Maria, Joana, Bia, Teresa, rebolam-se coxas num abrasado suor, frenesi musical cursos de água, rostos de negros, índios e brancos, nascimento das ilhas, ancoradouros e portos, casa de marinheiros desflorando santas, o sal o azeite a cruz e os santos, bordéis nas esquinas gemidos nas janelas, canto de sereias tatuagens carminas, capitães de Posídon, filhos do mundo, abandonaram-nos no mar, tanta saudade, todos os dias renascemos para bem morrer… O rugir do mar é um leque de pranto, terra rasgada lua serena, cantamos a desgraça desta sombreada vida, aves queimadas, tombam-se estrelas, neste céu sem fim lágrimas e dor, dédalo sem êxito labirinto oceânico, oh esperança!!!!!... Buda renasce criando caminhos, biliões de lanternas são pirilampos, lótus da vida flores no trilho, ascendo da ilha, até as estrelas, a visão do cosmos, meu universo, sou a candeia do meu caminho!…
Formam-se clarões, repicam-se sinos, tocam-se tambores nos vales das ilha, colares de pássaros flautas marítimas, pernas que brilham, de seda é a derme, corpos de cristal, incenso de mulher, fogueira eterna, cálice mágico que aflui sangue menstrual, fecunda roseira mulher sagrada, lança e arado, meto a semente, flor e espiga, milheiral no vento, peixes e pérolas, mãos dos teus braços, coluna vertebral, tua pose de rainha, electricidade no ar, horóscopo e oráculos, destinos escritos, infinitamente juntos, possibilidades possíveis, finito perene despedidas e encontros, a vida e a morte, naufrágios do mundo, oh imensidão do mar!…

Aqui chegaram, novos mundos criaram!…Nas suas naus arribaram nestas ilhas vulcânicas em paleolítico repouso, a primeira missa, répteis e pássaros, baptizaram-nos com nomes que não advêm de Deus, mas sim dos homens, da sua memoria… A bíblia a espada, pólvora e grilhetas, ninharias e missangas, homens esbeltos, negros e negras belos como a noite, nocturno azeviche, sangue e chicote, úlceras e ultrajes, negreiros malditos, homens marcados a ferro e fogo, no outro lado do mar o Novo Mundo nasceu; com: The Blues, el merengue e el uáuánko. Quato por oito, kumba lele, Xango Ogum, Yenmanjá, no outro lado do mar, algodão em rama, Coton Club negro, crioulo é o Jazz, que nos vai libertando para renascermos e… Com o destino, por aqui ficamos!...

Dermes brancas, rosas negras melaço nos lábios, é cor de mulato, peixe, feijão, milho e pilão, cavaquinho nos dedos, divinas mornas, este mar imenso que nos rodeia, festa das águas se Deus quiser, meu penedo de Tântalo, sede secular, fonte amputada, língua murchada… Morremos e ressuscitamos, nosso desespero, mas teimosamente aqui estamos!...

Daqui zarparam naus e veleiros, barcos de pedra arpoadores de cetáceos, ondas gigantes gentes remotas, filhos do fogo, dez ilhas secas, sede sem fim… Xangô, Watatanka, Cristo, Shalom, sou negro, índio, lusitano, hebreu, marinheiro das ilhas, num norte sul, cheiro a goiaba seu delicioso carpo, orgasmo colonial carrego em mim, Continentes e mundos sou todos os homens, Querer ficar, e ter que partir!…

Penélope acena com seu lenço de pedra, lágrimas secas dias rasgados, membros calcinados exiladas almas, cartas que chegam modas e moedas, epistolas de luto, luto e amor, matrimónio por fotos, procurações e cartas, bodas em Lisboa, Boston, Paris, vistos de entrada, cartas de chamada, convocações censuradas, Salazar voraz Tarrafal farpado, frigideira que mata, pulmões rasgados, ratazanas e rondas, camaradas delidos, carne para canhão chumbo de indecência, irremediável loucura no círculo craniano, nosso réptil milenar, nocturna demência, navalhas loucas baionetas frias, fresca é a carne heróis na peleja, mortos e medalhas, matam e morrem anos sem fim, há tempo para tudo, aqui neste Mundo…

Em vagas frescas nasceu meu mar, lavei meu corpo nasceram mundos, pão nas estrelas abanico em chamas, signos e flores, montes e rosas, sexo balsâmico paixão de viver, hemoglobina quente, bíceps crescendo, luvas de água, tuas mãos de pétalas, campo de folhas bela é a vida forte o amor, pássaro que voa neste mar que canta, minha viagem!...

Teus lábios de tulipa ardem em meu corpo, película branca, neve nortenho, rios gelados torres de néon, ruas do paraíso relógios de água, mulheres loiras polidos vasos, porcelanas de Delft com crinas de milho, seus triângulos solar, meu sexo ébrio, embriagues de touro, planície verde, diques e riachos, humedecidas conchas, narciso mulato morna na viola, canta a las mujeres, de Blanca Luna!…

Roterdão e as pontes, pernas bonitas, bicicletas girando, seios altivos, meu peito que rasga nascem tulipas, aqui habito vindo das ilhas, broca gelada fura meus ossos, barcos à – vista, marinheiros sonhando, Soul e ninfas, faróis no porto navegação exótica, vitrinas e sexo, gonorreias arcaicas, falos em delírio, desgraçada solidão, La petite mort!…

Cargueiro na neblina, Oceano Pacífico, Singapura logo China, livro vermelho, Mao Tse Tung; seus altifalantes ríspidos, demagogia, uniformes verdes, azuis também, individualidades perdidas, falsas doutrinas, num corcel de sangue galopa a peleja, Vietname queimando, América murchando, Marte de espada ceifa em Saigão, heroína nas veias, filhos das trevas senhores da guerra, assassinos perversos bebem champanhe em crânios de chumbo… contemplo as estrelas, oh miséria humana!...

Constelações de palmeiras cruzeiro do sul, pescando pérolas homens castanhos, Gauguin pintando, a luz é vida, na Austrália cantando, dóceis sábios, aborígenes da terra, bumerangues voláteis separam estrelas, trilhos na noite olhos felinos, cantos nómadas, seus djederutus, musicando com seixos, seus corpos bailam, oiros cabelos, narinas largas… vieram britânicos raptaram seus filhos, violência e álcool, agonia de um povo, Sidney, Cairns, Adelaide, Pert, soltei as amarras segui o destino…

Quinze dias e quinze noites avistei o Fuji, beijei Bachô, lendo Haykus. Poesia breve universo profundo, Zen budismo, a espiritualidade do ser, Yokohama ocidental, seus comboios cometas, trilhos chiando, peixe gigante mito de sismos… juba de Einstein, MC2… Openheimer devasta com seu Litlle boy, duas cidades, a bomba atómica, cadáveres em pó, flautas de bambu schaguaschy que chora, quimonos de seda, gueixas no chá, amendoeiras na neve suas perfeitas pétalas, mariposas azuis, levante solar, fim da estrada do Japão parti… Terminava aqui, a segunda viagem…

De contratos com a vida seguimos vivendo, pela sabedoria dos homens nos céus voei: De Oriente para o Ocidente com Sir Isaac Newton e a gravidade, macieira e maçã, que não é a de Adão, tão – pouco de Eva, mito de Ícaro sonhos dos homens, inatingíveis mundos, liberdade ou queda… Tokyo – Amsterdam, via Alasca, custou um milhão de dólares, conta a história, Ancorage na névoa, rios com salmões, saltando para a morte seu renascimento; meu caminho na vida, linhas na mão, labirinto sem centro, a metafísica, penso no amor, existo e penso… Lua soberana, céu argentino, rosto de mulher, olhos do Oriente, branco cristal, nocturnos olhos, pestanas de seda, quimono florido, vénias e luvas, mãos de nuvens, papel de arroz, caligrafia zen, diploma lácteo, pólo norte níveo, Robert Perry gelado, infinito silencio, a evolução dos homens, máquinas voadoras, meu avião no ar, sigo viagem, caixa veloz perfurando nuvens e…Tudo regressa, ao ponto de partida!...

Roterdão meu templo, rezo as divinas, bicicletas voam, meu falo sulca, regressei a Ítaca de rosto bronzeado, libido ardendo, I,am a sex machine objecto sexual, Europeias mulheres minhas amantes, bailarino leve, pétala no vento, furação coreográfico bailando James Brown… I tis a mans mans World…a divina tragédia!… Meu visto de estadia aborta aos três meses, barco ou fronteira comboios de gado… Lisboa alerta Salazar esqualo, é capanga mor, Tarrafal demente esturrica cérebros, misantropia perversa, esquadrões da morte… Optei de novo o caminho do mar!…

Orenoco serpenteia nas suas águas sem fim, pássaros coloridos selva grande, canto a Simão não o cirenaico do morto na cruz, mas a Simão Bolívar El Libertador… Em Santa Marta febril morreu El Libertador, evaporada utopia, la vida e la muerte del General, todos os dias, morremos na cruz!…

Avanço na selva com cânticos e xamanes, tatuagens negras, bambus e flechas, pepitas douradas voando nas lâmpadas, urros de fantasmas, los conquistadores, sangue derramado, índios vestidos, gládios e bíblias, verbo de “Deus”, homens centauros, a profecia, pólvora e cruz, Bartolomeu de las Casas… Meu barco acelera, contra a maré, águas turvas Amazonas queimando, mata-se por dinheiro arquitectura dos homens, em Puerto Ordaz, Venezuela arribei! …

Circe é puta, Ulisses mareante, inverte-se o canto Homero enxerga, Circe é índia, enfeitiçada por dólares, Ulisses ama-a, cama molhada charco de esperma, curral de rameiras, trágica é a historia, Coca-Cola bebem, elixir dos deuses, lágrimas sem sal, abraços sem flores, beijos sem água, doces mentiras, benzeno nos tanques cheira a veneno, passos perdidos mar encrespado, sigo a viagem To the American dream, Filadélfia à vista, aqui estou!!!! Apertam atracas que a nave chegou!…

De um amor fraterno provêm o nome, cidade grega Dionísio seu deus, antes da Americana foi a primeira, o universo gira nada é eterno, Filadélfia ontem, Filadélfia hoje, este novo império e a sua historia, a pequenez dos homens grande é o tempo, metrópole fria, seus letreiros néon, dragões seu carros poluindo nuvens, vadias em delírio querem chupar-me, Roosevelt numa nota de 100 dólares, usa peruca, narinas largas o crak despacha, Independence hall e a constituição, sino de liberdade, Edgar Poe meu poeta, seu corvo agourento, furando meus olhos, deprimente é a neve minha tristeza, imenso é o lamento, Poe delirando, Poe morrendo, Poe susurrando: “Tudo acabou!!!! Tudo acabou!!!!... Digam que Edy, já não existe”…

Constituição para libertar, negros linchados, strange fruits nas árvores, white trash, nas rulotes, latinos na coca, América! América!... Ginsberg meu poeta Ginsberg gritando: América, América!... Quando hás de enviar teus ovos a Índia????...

Triste nas brumas Filadélfia ficou, rumamos para o norte velas esticadas cristas nas quilhas, marinheiro na gávea alto é o céu; arranha-céus fálicos carros e trombetas, azafama de loucos crimes com arte, cidade de insónia, psiquiatras a quilo, cavalo sem freio Time hear is mony!!!!! Estátua da liberdade que não liberta almas, Manahata por 24 dólares foi Nova Amsterdam, meu irmãos Lenape rindo dos brancos, porque o Sol e a Terra, a nada pertencem bastam 7 palmos quando a morte viér… Wall srteet não para, seus cães raivosos salivam gás, Serra Leoa decepada, diamantes com sangue… África moribunda, New York – New York… Hudson é teu rio, neblina e água, suja de sangue, Harlem e Bronx furando veias, Hooper e as pinturas, que solidão!... Peguy Guggenheim na arte é poesia, Queens é rainha, Miles Davis azul, a Kind of Blue; Central Park verde, respira-se vida, Nações Unidas e as guerras, guerras sem fim, mata o forte, o fraco morre… esta Babilónia foi terra de índios, de traqueias queimadas com água de fogo… negros no Soul cantam para mim:: Iam a sailor from Cape –Verde Islands, arquipélago seco, seco, mas Sabe!… mais Sábe que Hollywood, disse um amigo, tenho que partir, não vou para as ilhas, proibido regresso o fascismo espreita; Noite tenebrosa, grávida de punhais…

Nas vagas da vida, avistei Europa, cansado do mar purguei o sal; pelas estradas caminhando, em Helvécia cheguei… Desenhando gentes, pássaros e nuvens, mulheres, e amizades, filhos e Arte, arte da vida poesia sublime, meus longos dias minhas longas noites…Regressei às ilhas, após 15 longos anos, escutei o: Cântico da manhã futura! …

Sou peregrino nos trilhos do mundo, queda e ascensão assim é a vida, alegrias e tristezas sigo o caminho, como poeta cantando novos mundos criando, musas do meu destino, ofereço-vos a flor, meu 5. 7 Formosos, Monte Verde sagrado, neblina mística, suave frescura, dilatadas narinas oxigénio no cérebro, horizonte e utopias, a imensidão do mar… 15 por 23, São Vicente flutua... Suspensa no ar a ilha vagueia, pensamentos brotando, jornadas serenas, doce memória, sigo avante, a vida é bela amo-vos mulheres, rosas divinas lua celeste levanta em parto, adio a morte, para um outro dia!…



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3 comentários:

zito azevedo disse...

Eu não lhe chamaria de "prosa poética"...Talvez épica!
Um "imenso" abraço...
Zito Azevedo

Tchale Figueira disse...

Obrigado Zito, creio que épica é a palavra.

Acabei de comentar no Blogue "Na Esquina do Tempo" do Brito Semedo, que publicou uma foto de alguns funcionários da Rádio Barlavento de diá zá. Lembrei-me do teu programa: Outras Terras Outras Gentes, que me fez viajar e ter ido a muitos países sem ter posto lá os pés. Fantástico!

Um grande abraço.

Tchalê

zito azevedo disse...

Já tive a oportunidade de agradecer "in loco" mas, nada me custa aqui redenunciar a sensação que foi para mim descobrir que, 50 anos depois, ainda há UM ouvinte que se lembra do José Manuel e de um programinha de rádio do Rádio Clube Mindelo, onde começou a minha aventura radiofónica, em 1949...Obrigado, valeu a pena!
Zito