17 de jan de 2011

TCHALÊ FIGUEIRA NA INFLUX CONTEMPORARY - LISBOA


TCHALÉ FIGUEIRA‘DO ARCO DA VELHA’26 Fevereiro > 09 Abril 2011Qua > Sáb 14 h > 19 h


PINTURA INSTALAÇÃO POESIA
DO ARCO DA VELHA

O imaginário é, sim, o que existe. O real, se me permitem, é algo puramente inconsequente, algo que não se traduz, algo impossível de concretizar. Conhecemos as geografias e os corpos em nosso redor através da imaginação que cultivamos. Quando a imaginação e o desejo são escassos, os amores e vontades dos outros tornam-se loucuras.

Invariavelmente, nós aqui, neste lugar, somos construídos segundo relações flexíveis entre a miséria e o desejo. O desejo consome e exige a urgência da materialização do faz-de-conta. No Carnaval, tal como no plano multi-dimensional da imaginação, a Rainha e o Rei colocados no cimo do andor desenhado pelo artista, que esta terra quer sempre ter como anónimo, são escravos dos nossos desejos de chegar mais além, de cada vez ser mais outro e o Outro. Esconde-se o feio que engloba gente. Gente que, apesar de ser parte de nós é, inexplicavelmente, considerada diferente.

A irreverência é naturalmente constitutiva da arte que faz perguntas, a arte que exibe o diferente enquanto nosso, a arte que se quer posicionar dentro do campo do político e por isso é Pecadora. O questionar obviamente não desmembra o autocratismo, mas revela desejos de mudança. No caso particular do pintor, revela principalmente a vontade de mudança para estados de sensibilidade e empatia no âmbito de um contexto abrangente em que o Homem, Deus e a Verdade foram declarados mortos no mundo real e que somente vivem no campo do exercício dos poderes. Apenas nos restam as vontades individuais de imaginar os desejos dos outros como nossos.

Desde a Rua da Praia, no Mindelo, num atelier com as portas abertas para o mar, Tchalé Figueira, sempre independente e certo das suas vontades e procuras, compreende o compromisso de ser “agente criativo”, aqui neste lugar insular. O articular de perguntas e desejos em prol de si próprio mas também em prol dos que o sistema define como o “Outro menor”, os que o sistema teimosamente “circum-navega” porque, em hora de eleições, um grogue ou uma T-shirt servem como suficiente sedução.

Tchalé explora a relação entre o acto e a crítica social. Tristan Tzara, Max Weber ou Jean Dubuffet sublinharam algumas directrizes que permitem compreender a posição do pintor: consciente, sensível e critico e, no entanto, determinado na perseguição do exercício da pergunta. Na obra de Tchalé Figueira, o político, a prostituta, o mendigo, o paupérrimo, o medo, a vergonha, a vaidade, a superficialidade, a tensão ou o desejo estão presentes, vivos e pulsantes. As telas gritam-nos perguntas acerca do nosso próprio papel.

Irineu Rocha











Tchalé Figueira nasceu em 1953 na ilha de S. Vicente, Cabo Verde.
Pintor, músico e poeta, Tchalé é hoje em dia, indiscutivelmente, um dos ícones principais da Arte Contemporânea em Cabo Verde e seguramente o artista plástico caboverdiano com maior visibilidade internacional.

‘Do Arco da Velha’, é a sua primeira exposição individual na INFLUX CONTEMPORARY ART.




Irineu Rocha nasceu em Santo Antão, Cabo Verde. É licenciado em Belas Artes pela Willem de Kooning Academy, Roterdão e Mestrando em Belas Artes pela Central St. Martins School of Art and Design, Londres. Entre 2002 e 2009 exerceu varias funções em projectos de educação e de arte contemporânea no sector dos museus e galerias publicas em Londres, com especialização progressiva na área de gestão de projectos. Entre 2006 e 2008 foi assistente de curadoria para o New Visions of The Sea, programa internacional de arte contemporânea do National Maritime Museum de Londres. Desde 2009 é director do M_EIA, a primeira instituição de ensino superior dedicada às Artes Visuais e Design em Cabo Verde.















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