2 de mai de 2010

LETRAS SOLTAS


Passeio Surrealista

Entretidos estão sentados debaixo de um arbusto numa conversa sobre a transmigração de Buda para o corpo de uma barata radioactiva que sobreviveu a bomba atómica Little Boy em Hiroshima… no horizonte a baleia Jonas levantou voo em direcção a Ribeira de Janela onde um comício de bruxas no local conhecido por Esponjeiro liam num almanaque Bertrand uma sentença a fogueira a Torre Queimada e mais uma cambada de inquisidores que teimosamente recusavam que as bruxas de Janela não tinham voado antes do que os aviões dos TACV… Em Sinagoga com mandioca fresca festejaram a chegada de uns náufragos Judeus a caminho do Brasil numa nau que o danado de Pière D, Ailly na força da sua insana maldade insistia ver… estes filhos da estrela de David num caldeirão de sopa de tartarugas…
Num concerto Barroco em Fontainhas um flibusteiro francês e mais cem freiras raptadas pelo folgazão pirata numa caravela Portuguesa… umas belas freiras oriundas do famoso convento em Veneza onde Dom António Vivaldi tocava as suas maravilhosas musicas barrocas… foram raptadas a norte Santo Antão no mar da Nova Holanda em viagem para o Novo Mundo… Nuas peladas e cheias de rum nas suas cachimónias virgens ensinaram aos nativos dançar Mazurca e Contra Dança…e, Nhô Nau séculos mais tarde cantando num patuá crioulo misturado com francês e de forma bem sincopada estes rituais mais antigos que Matusalém que vieram do além-mar…
Com quebrantes amarrados nas barrigas inchadas de lombrigas… contra as feiticeiras os meninos nus banham nas ribeiras e, um Capotona alma de outro mundo que quis abafar um noctívago não atreveu atravessar a ribeira por estar resfriado gritando ao noctívago: Vai! Vai!... Tens sorte que em vida eu tinha medo de pneumonia! …
Debaixo do arbusto com mais de meia tonelada de vinho nas suas cabeças os filósofos divertidos com as complexidades da vida... calaram quando uma mulher mais linda que os raios de Sol que brilhavam nos seu seios passou montada num cometa…
O Lezemparim caiu sobre a Praia dos Achados e Perdidos uma águia voou para a sua gruta cheirando a peixe… Piou três vezes despedindo dos poetas que regressavam em passos lentos para o outro lado da Ilha…

2 comentários:

Rony Moreira disse...

Uma bela prosa narrativa. Um texto cheio de musicalidade literária. Gostei!

Tchale Figueira disse...

Obrigado Rony, eu também gosto de ir ler no teu caderno... Sinto que temos algo em comum na forma inventiva de contar coisas.

Um abraço