16 de ago de 2010

ALEX ENVIOU ESTE TEXTO


Todos temos os nossos mortos. E os mortos não se regateiam, nem se disputam. Não há mortos, nem mortes, excelentíssimos. Não é pois censura. Apenas desilusão, a distracção colectiva dos Bloguer’s cabo-verdianos, e já agora da comunicação social em geral (esta sim imperdoável), perante a perda de um nome maior da língua portuguesa. Parabéns por não te ter passado ao lado Tchalé. O Ruy Duarte de Carvalho é para mim, há muito, um mestre incontornável. Pena, ao que parece, que ele não seja conhecido, nem lido, em Cabo Verde. Só perde quem não o conhece.
“Olhar a beleza E não a ver Traz pobreza.”Yoruba – Oráculo de Ifa (2) Livro V, in DA LAVRA ALHEIA I Ruy Duarte de Carvalho
A sorte de quem ainda não o leu, é poder fazê-lo, já que a sua obra aí está, disponível e generosa, para benefício de cada leitor. Apesar de premiado, conhecido e apreciado em muitas latitudes por uma larga, mas sólida, minoria, todos os grandes prémios têm a sua inevitável orfandade. O nosso Prémio Camões tornou-se órfão de um dos grandes (enormes) escritores de Língua Portuguesa. Como um dia disse o próprio no poema Abertura, “Uma memória a ter-se/mas não aquela que o futuro impeça.”
Em 4. Ciclo do fogo, ele adverte-nos:“Há coisas que se choram muito anteriormente Sabe-se então que a história vai mudar.”Livro VI, in HÁBITO DA TERRA – Ruy Duarte de Carvalho
Para o Ruy este terceto inspirado no seu poema ‘O sul’, e que é uma espécie de retrato do homem à la minute:
Nas mãos o sal
Na voz o sol
E o sul no coração.
Alex

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